quinta-feira, 26 de maio de 2016

Jornal Hoje em Dia


Gazeta Norte Mineira


Artigo de opinião

AS GRADES NA SELVA DE PEDRAS
Artigo publicado hoje (24/05) nos jornais Diário de Caratinga e Diário de Manhuaçu.



O planeta sofre transformações constantes, algumas delas de forma natural, como afirmou Charles Darwin na sua teoria da evolução das espécies. Já tantas outras são provenientes da ação humana, notadas na forma com que lidamos com os recursos naturais, com o jeito que tratamos o meio ambiente.
Assim, no decorrer dos anos vamos deixando a nossa marca estampada na realidade que nos cerca. Possibilitando portanto uma forma de conhecer o próprio ser humano, pois o seu entorno acaba revelando um pouco de quem ele é. Nesta perspectiva, ao analisar o meio, o contexto em que vivemos, poderemos consequentemente dizer um pouco do que somos. Para exemplificar o que pretendo dizer, vejamos algumas situações corriqueiras que fazem parte do nosso cotidiano.
Digamos que você ao visitar a casa de uma família pela primeira vez, ao chegar lá depara com o seguinte cenário: um quintal com vários cachorros de espécies diferentes, pequinês, vira-lata, pastor alemão, dentre outros; ao entrar na casa, um oratório no cantinho da cozinha e algumas imagens de Nossa Senhora Aparecida espalhadas em lugares de destaque da casa. Outra coisa que chamou a atenção também foi uma camisa do Cruzeiro, com vários autógrafos dos jogadores, emoldurada e afixada no meio da sala em um lugar de destaque. Mesmo que ninguém da família diga nada, ao observamos o ambiente poderemos chegar a algumas conclusões: naquela casa há alguém (ou todos) que gosta de cachorro, é católico e cruzeirense. Senão ela não seria daquele jeito, imagine se teria um quadro da camisa do Cruzeiro na parede da sala, em destaque, em uma casa de atleticanos apaixonados.
Num outro cenário, nas férias de julho, você reúne sua prole e resolve visitar uma família de amigos, que mora distante e que há muito tempo não se vêem. Um município de cerca de 100 mil habitantes. Chegando à cidade de destino, antes de chegarem na casa dos amigos, passam por uma banca de revistas para comprarem um jornal da cidade. Depois da recepção calorosa e de colocarem um pouco da prosa em dia, você pega o jornal e começa a ler as notícias, a capa traz como manchete principal: "Neste ano já são 2.367 casos de homicídio". Pela reportagem, mesmo não morando na cidade, podemos concluir que é uma cidade violenta, que enfrenta, com certeza, sérios problemas de aspectos sociais.
Dito isto, reflitamos um pouco sobre as nossas cidades. Andando pelas ruas, independente se faz parte de bairros ou região mais central, a cada dia que passa a paisagem está ganhando um visual diferente. As nossas casas, aos poucos estão se transformando em uma fortaleza. Há grade para todos os lados. Em alguns casos a cena chega a ser cômica para não dizer trágica. A casa é rodeada por um muro, que por si só deveria ser um limitador, entretanto observamos sobre o muro a existência de uma cerca elétrica e quando olhamos pelos vãos da grade deparamos com as janelas repletas de ferros contorcidos na tentativa de enfeitar a triste realidade, que é a transformação dos nossos lares em pequenas prisões de nós mesmos. Se o ambiente diz o que somos, quais seriam as características de um povo em que suas residências estão repletas de grades?
Ao fazermos uma leitura da paisagem das nossas cidades parece que o pensamento do filósofo Tomas Hobbes é uma realidade. Ele dizia que "o homem é o lobo do próprio homem". E nesta selva de pedra e grades em que as nossas cidades estão se transformando, podemos concluir que estamos fugindo e escondendo da nossa própria espécie. Estamos com medo de nós mesmos. Com medo daquele que como nós partilha do mesmo espaço em que a vida acontece.
Da mesma forma que a febre é uma sinal para o corpo de que há alguma coisa de errado em funcionamento no nosso organismo, as grades são os sintomas de uma sociedade doente. As grades são um dos aspectos que demonstram que o funcionamento da sociedade não está bem. Que algo precisa ser feito e com urgência.
No dia em que você andar pelas ruas e encontrar casas livres de guaritas, cercas e grades, alegre-se pois neste dia estaremos deixando de ser o lobo de nós mesmos.
Walber Gonçalves de Souza é professor.

Gazeta de Muriaé


Gazeta Mineira


A ESTRELA APAGOU
Artigo publicado no Diário de Caratinga, 
Diário de Teófilo Otoni e Diário de Manhuacu - 17/05.



Primeiro de janeiro de 2013 inicia-se para muitos brasileiros o governo da esperança; inicia-se a concretização do sonho de ver a dita esquerda governando o país; acredita-se que haverá dias melhores; que o Brasil será uma nova nação, onde o povo pela primeira vez na história deste país terá vez e voz; que a corrupção será combatida; que a reforma agrária acontecerá de verdade; que os velhos lobos da política brasileira serão combatidos; que as antigas formas de se fazer política ficarão registradas apenas nos anais da história; daquele dia em diante acreditou-se que o Brasil tomaria outro rumo, que os capítulos da nova história seria escrito com outros adjetivos, bem diferentes dos experimentados pelo povo brasileiro até então.
O sonho por dias melhores era tamanho que parecia que tudo iria dar certo. Até mesmo os primeiros meses de governo, marcado por uma dose de arrocho, tornou-se aceito e visto como necessário. Notava-se que aos poucos as coisas foram se alterando, os indicadores socais sofriam modificações positivas, parecia que estávamos no caminho certo, que desta vez tudo seria diferente. Até que enfim havíamos encontrado o caminho do desenvolvimento, nossa nação estava dando sinais que seria um lugar de se viver dignamente, conforme todos sonhamos e desejamos.
Mas algo estranho acontecia debaixo dos nossos olhos, mas como as coisas de certa forma pareciam que estavam caminhando bem, talvez não queríamos acreditar que poderiam ser os primeiros sinais de que havia algo podre por debaixo daqueles ares de bonança.
Mas que fatos são estes? Recordemos alguns: a famosa cena do aperto de mão de Lula com Paulo Maluf; o apoio dado pelo PT ao Renan Calheiros para que ele assumisse a presidência do Senado; a surpreendente coligação do PT com partidos tradicionalmente opostos em nome da manutenção do poder; a relação com famílias tradicionais da nossa política que já demonstraram por inúmeras vezes seus interesses pessoais, entre elas podemos citar a família Sarney (historicamente inimigos); o apoio ao Fernando Collor; o mensalão; o petrolão; sem falar em nomes de vários ministros que ocuparam cargos estratégicos durante estes 13 anos de poder e de pessoas que enriqueceram por vias duvidosas, pois com certeza existem certas profissões no Brasil, inclusive a minha, professor, cito também ajudante de zoológico, profissões que nunca possibilitarão o enriquecimento, ainda mais de uma forma surpreendentemente rápida.
A juntada destes fatos mostra-nos que aos poucos a cúpula petista foi se moldando aos velhos clichês e a tão combatida e tradicional forma de se fazer política no Brasil. Mas é claro com um sotaque aparentemente novo.
Para sermos justos sabemos que durante estes 13 anos um número expressivo de petistas históricos foram levantando suas vozes e alertando que o caminho que estava sendo seguido não estava de acordo com as diretrizes do partido. Muitos começavam a afirmar que o PT estava se tornando mais um, como os demais. Praticamente todos foram tratados com desprezo, como se estivessem errados e o pior como se fossem inimigos dos avanços os quais o povo brasileiro estava conquistando. A maioria abandonou a sigla.
E o resultado de tudo isto? Criamos uma ilusão, um conto de fadas, que se tornou insustentável. Em nome de um populismo barato, destruíram a nação, mantiveram e fortaleceram o que há de mais podre na política brasileira, os velhos lobos e os seus velhos hábitos.
Insistem em dizer que está tudo bem, que não há crise, que é tudo invenção. Não reconhecem os seus limites, seus erros, não reconhecem que fizeram lambança demais, que mataram a esperança. Veja a realidade que nos cerca, de analfabetos, nos transformamos em uma nação de analfabetos funcionais; o Bolsa Família ano após ano só aumenta o número de beneficiados, demonstrando que a pobreza está aí presente; a dívida pública praticamente 70% do PIB. Deram com uma mão e puxaram com a outra!
Não podemos negar que muitas conquistas aconteceram, ocorreram indizíveis avanços em vários setores. Mas em qual governo não houve? Mas da mesma forma que nunca aplaudirei um traficante, por mais que ele faça “bondades” para manter-se com o poder na comunidade, não dá para aplaudir políticos, que de maneira análoga ao traficante, fazem a mesma coisa.
A estrela se apagou! A estrela que um dia mostrou-se como uma estrela guia, cadente e irradiante, transfigurou-se em um estrela nebulosa, envolta em mentiras, promiscuidade, imoralidade, de tudo aquilo que ela sempre condenou.
Walber Gonçalves de Souza é professor.

Gazeta de Muriaé


Gazeta Norte Mineira


Diário da Manhã (Goiânia)


Publicação: Diário de Caratinga (10/05)

O PÉ DE CAFÉ E O CAVALO ARREADO
Há quase dois séculos surgia entre pequenos montes um vilarejozinho. Poucas casas compunham a paisagem daquele lugar.  Via-se córregos com águas cristalinas, uma floresta exuberante, recheada de uma vasta diversidade de plantas e animais. Em especial, para dar um toque de beleza, notava-se uma imensa pedra, sua presença era radiante e do seu alto se conseguia avistar lugares até onde a vista não conseguia mais alcançar.
Aos poucos este lugar foi se transformando, aparecia um arraial aqui outro acolá. Uma casa sendo erguida aqui, outra acolá. Em volta das casas, um curral, uma capela, uma quitanda e tantas outras casinhas, que aos poucos iam dando novas formas àquele lugar.
Gradativamente o verde estava sendo substituído pelo vermelho do chão, o marrom das madeiras cortadas, o branco das casas de barro. A transformação corria num ritmo acelerado e inevitável.
Na toada do desenvolvimento as pessoas iam se aglomerando e aquele que um dia foi um pequeno arraial passa a ser chamado e reconhecido como cidade. O cenário já não é mais o mesmo, a paisagem se mostra com outras cores, cheiros e sabores. O aparente progresso parece tomar conta das pessoas, dos seus sonhos, desejos e vontades. A vida aos poucos começa a tomar outra direção.
Em meio a todas estas transformações uma novidade chega do oeste paulista, novidade esta que mudou o rumo histórico e social daquele que um dia já foi um pequeno arraial. As primeiras mudas de café começam a ser plantadas na região. Passados poucos anos a textura do município se confundia com um enorme tapete verde. Já são milhares de pés de café espalhados por várias partes.
Com o tempo surgem vários produtores, o negócio era plantar café, pois aí estaria o segredo do sucesso. A princípio foi mesmo e várias lavouras podiam ser vistas em todos os lugares. A economia do município passou a girar em torno da atividade cafeeira: fazer muda, plantar e colher o café. Criando um comércio praticamente dependente desta mesma atividade econômica.
Paralelamente ao crescimento deste município tantos outros espalhados na mesma nação também passavam pelo seu processo de mudanças. Uns com outras atividades agrícolas, outros com atividades industriais e tantos outros com prestações de serviço. Cada cidade desenvolvia-se com suas potencialidades e características.
Mas em meio a toda esta situação algo inusitado começou a acontecer. Várias pessoas de outros lugares queriam transferir-se para a cidade do café. Pois ela aparentava ser próspera, economicamente ativa, poderíamos dizer que se encontrava dentro do fluxo do desenvolvimento da época.
Aos poucos foram chegando propostas, entre elas a criação de uma grande indústria de siderurgia; um parque aquático; a fábrica de um famoso refrigerante; universidades e/ou institutos federais. Muitas pessoas de alguma forma enxergavam algum potencial por aqui. Mas todos foram barrados, não tiveram suas ideias bem vistas e bem quistas por aqui. Suas propostas não foram aceitas. E o que todas estas propostas tinham em comum? Gerariam novos postos de emprego, daria um novo ritmo econômico, incentivariam uma nova mentalidade cultural, educacional e social.
E por que elas foram barradas? Talvez a resposta esteja nas mãos de cada um dos “catadores” de café. Pessoas que durante anos e anos, escondidas atrás de cada pé de café, viviam no anonimato, sem rosto, sem vez e sem voz. Com o sucesso das propostas, novos postos de trabalho trariam concorrência pela mão de obra, poderia torná-la mais cara, escassa. E isto não seria interessante para quem, décadas pós décadas, como coronéis, sugam e exploram de forma desumana a força de trabalho.
Nesta cidade, que nasceu de um arraial o “cavalo arreado” passou algumas vezes, talvez ele volte a passar novamente, mas em nenhuma delas conseguimos executar uma decente montaria. Preferimos ininterruptamente ficarmos no entorno de todas as glórias e mazelas do pé de café. Lembrando sempre que as glórias foram para poucos e as mazelas para muitos. Situação que pode ser comprovada pelo retrato social desta cidade.
É claro que a culpa não é do pé de café, mas daqueles que trataram e tratam esta cidade com o cérebro do tamanho de um grão de café. Nesta cidade a ditadura não acabou, os coronéis ainda vivem e reinam!
Walber Gonçalves de Souza é professor.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Diário Popular (Ipatinga)


Gazeta Norte Mineira (Montes Claros)


Gazeta de Muriaé


Artigo Diário de Caratinga

UMA LENDA POLÍTICA
Artigo publicado no Diário de Caratinga e Diário do Manhuacu (03/05).

Em uma pequena cidade do interior das gerais pairava uma maldição que ficou conhecida como a “Maldição do nariz grande”. Conta a lenda que nesta pequena cidade, de quatro em quatro anos, surgiam homens e mulheres, pessoas ditas e reconhecidas por serem distintas, apessoadas, seres de bem, que queriam governar, liderar as pessoas que ali moravam.
Em meio aos debates, discursos, propagandas… Uma dessas pessoas acabava se destacando mais do que as outras e se tornava portanto, o governante, o líder. Aquele que iria, durante quatro anos, promover tudo aquilo que havia anunciado. O início da concretização da esperada esperança!
E o que era prometido? Aquilo que o povo daquela pequena cidade do interior das gerais sempre mais precisa, seria, melhores condições para a promoção da saúde, escolas dignas para proporcionarem uma educação de qualidade, áreas para lazer em família, cuidado com os idosos, projetos urbanísticos, desenvolvimento de práticas culturais, cuidado com meio ambiente… enfim, tudo aquilo que torna um lugar melhor para se viver coletivamente.
Mas estranhamente, sempre uma coisa acontecia, a partir do momento que o escolhido começava a liderar o seu povo, a maldição do nariz grande insistia em atacá-lo.
A cada palavra, a cada gesto, a cada ação… seu nariz vai ganhando um novo formato, vai esticando, ficando mais robusto e pontiagudo.
A princípio as pessoas ficavam sem entender o que estava acontecendo, ficavam pensando e se perguntando, por que crescem os narizes de todas as pessoas que nos governam?! Daí, foi surgindo a crença da maldição do nariz grande.
Até que um dia uma mulher, uma senhora conhecida como Vó Sofia, encontrou a explicação para a tão falada e propagada maldição.
Segundo ela naquela cidadezinha, uma deusa chamada Veritas, que ali vivia por muitos milênios e era conhecida como a deusa da verdade, mas depois de ser expulsa da cidade pelo deus Mens, conhecido como o deus da mentira, jogou uma maldição na cidade, sendo a maldição do nariz grande.
A princípio as pessoas ficaram assustadas com a atitude de Veritas, nunca esperavam dela uma maldição, mas ainda de acordo com Vó Sofia, a maldição lançada pela deusa Veritas não tinha como objetivo prejudicar a cidade, mas sim, permitir que os líderes mentirosos apoiados pelo deus Mens pudessem ser descobertos.
Assim, todos os governantes que tentam enganar o seu povo poderá ser desmascarado, pois ao crescer o nariz a máscara da mentira irá cair.
De acordo com a deusa Veritas, saberemos disto quando as suas ações não condisserem com as suas promessas.
Walber Gonçalves de Souza é professor.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Diário da Manhã de Goiânia / GO


Artigo publicado no Jornal Diário da Manhã (26/04) de Goiânia / GO.

Artigo no Jornal "O Tempo"


@@@@ A TEORIA DE MONTESQUIEU @@@@
Artigo publicado nos Jornal "O Tempo" -26/04.


Artigo no Diário de Caratinga e Diário do Manhuacu

@@@@ A TEORIA DE MONTESQUIEU @@@@

Artigo publicado nos Jornais Diário de Caratinga e Diário de Manhuaçu -26/04. 



O século XVIII foi de grandes transformações na Europa. Várias dessas mudanças foram proporcionadas pelos pensadores iluministas. O Iluminismo foi um movimento social, político, filosófico, econômico que criou as bases teóricas que orientou as diversas mudanças ocorridas na Europa Moderna. O foco principal dos iluministas era combater o sistema político absolutista implantado pelos monarcas por volta do século XV.
Entre os diversos pensadores desta época destacaremos o francês Montesquieu, criador da Teoria dos três poderes: legislativo, executivo e judiciário.
De acordo com Montesquieu o poder político de uma nação deveria ser dividido em três partes. Sendo que nenhuma das partes seria mais importante do que a outra e ao mesmo tempo elas se completariam formando o poder político do Estado.
Pela teoria do filósofo francês caberia ao poder legislativo criar as leis, pensar o destino do país através de projetos de desenvolvimento social e econômico, estabelecer as regras e as normas que deveriam ser seguidas pelos compatriotas; o poder executivo, como o próprio nome já diz, deveria executar aquilo que seria proposto pelo poder legislativo; e por fim, ao poder judiciário caberia a função de constatar se todos estão cumprindo as leis.
Uma teoria aparentemente perfeita, principalmente se for analisada pela forma como ela propõe o papel democrático do Estado e que colaborou decisivamente para o fim do absolutismo europeu. Tamanho o sucesso nas terras do conhecido “velho mundo” que com o tempo ela começou a se espalhar pelo mundo, sendo adotada por vários países, entre ele o Brasil.
Mas o sucesso do pensamento de Montesquieu conjuga-se diretamente com participação popular, com o exercício da cidadania. Depende também de que cada poder tenha a autonomia de cumprir o seu papel. Portanto, sem participação e autonomia os poderes existirão de direito, mas não de fato.
Na administração pública federal, bem como na maioria dos nossos estados e municípios, parece estar acontecendo uma crise de identidade e ao mesmo tempo de autonomia dos poderes. Em alguns momentos percebe-se uma desarmonia tamanha, chegando ao ponto de ninguém mais saber de fato o que é de competência de cada um.
Assim, no meio desta confusão institucional, o Estado fica paralisado. Um poder passa a não complementar o outro, criando travas que impedem o funcionamento dos demais. E estas travas ganharam o nome de burocracia. Vivemos um Estado paralisado, entre outras coisas, pelo poder demasiadamente empregado nos aparatos burocráticos. Como diria Carlos Drummond de Andrade: “o excesso de leis feitas para o bem do povo acaba por sufocá-lo”.
A interferência excessiva de um poder sobre o outro acaba distorcendo a sua ideia original, provocando sua ineficácia, perdendo seu caráter democrático e criando um Estado travado em si mesmo, onde o famoso “sistema” impede as coisas de acontecerem.
Observe os casos de repercussão nacional. Os três poderes não se entendem, não colaboram entre si, demonstram não existirem para o mesmo objetivo, para o mesmo fim, que é conduzir o rumo do país.
O estado de descrença é tamanha entre as pessoas que governam nosso país que toda a ação, independente de quem a propõe, é recheada de paralisações e interferências pelos demais poderes. Criam-se barreiras, obstáculos das mais diversas ordens, com intuito puro e simplesmente de não verem as coisas fluírem. Como diria o próprio Montesquieu “as leis inúteis debilitam as necessárias”.
A importância da harmonia entre os três poderes verifica-se no pensamento a seguir, também atribuído ao Barão de Montesquieu: “Quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se as que lá existem são executadas, pois boas leis há por toda a parte”. Portanto, para o nosso país constituir-se numa nação, entre outras coisas, faz-se necessário urgentemente estabelecer uma harmonia entre os poderes, senão ficaremos eternamente presos à burocracia que não nos leva a lugar nenhum.

domingo, 24 de abril de 2016

terça-feira, 19 de abril de 2016

Discurso de lançamento

Um discurso em prol da educação

Discurso proferido na noite do dia 15 de abril 
no lançamento do livro "Radiografias do Cotidiano" - vol. 8. 

Artigo de opinião

CONSIDERAÇÕES SOBRE O DIA 17 DE ABRIL

Artigo publicado simultaneamente nos Jornais: Diário de Caratinga, Diário de Manhuaçu e Diário de Teófilo Otoni, nesta terça (19/04).

Historicamente algumas datas tornam-se importantes pelos fatos que elas registram. O dia 17 de abril foi uma delas. Na recente História do Brasil, marcada pelo processo de redemocratização, neste dia iniciou-se o segundo processo de impeachment da História política do nosso país.
Como colaborador deste jornal, cidadão brasileiro e professor, farei algumas considerações, que de acordo com minha visão, acredito serem pertinentes neste momento de reflexão democrática.
Acompanhei, praticamente durante todo o dia, pelo Facebook e WhatsApp uma série de postagens sobre o assunto do domingo: o processo de impeachment da presidente Dilma, que é o tema em questão. Uma das grandes qualidades da verdadeira democracia é o direito à opinião, somos livres para podermos manifestar. Mas parece que isto não está acontecendo de fato entre nós, nas nossas opiniões sejam elas quais forem, é possível observar nas mais diversas postagens muitos comentários mal educados e antidemocráticos. O problema não é comentar e sim a forma como se comenta, cerceando o outro no seu direito de ter e manifestar a sua opinião. Se todos pensassem da mesma forma aí sim seria o grande problema.
Que circo é o nosso Congresso. Aqueles são os nossos representantes escolhidos por nós através do nosso voto. Que nojo! Gritos, xingos, palavras mal colocadas, mal faladas, em alguns momentos a língua portuguesa pensou não pertencer a este país. Ninguém escuta ninguém, barulho, uma zorra. A falta de respeito pelo voto do outro, pela forma como cada um se expressava, demonstrou nitidamente como a nossa Câmara realmente tem a nossa cara.
Deus! Quantas vezes ouvimos esta palavra saindo da boca de cada deputado. A Bíblia e Deus foram usados das mais diversas formas. Parecia Sodoma e Gomorra! Depois ainda querem crucificar o filósofo Nietzsche quando ele fala que os homens mataram Deus.
Sobre a tão sonhada limpeza, não nos enganemos! Mesmo se o processo de impeachment se concretizar ele não será o suficiente. Ainda há muito coisa a ser feita. Nossa tradição política, nossos políticos, não demonstraram querer transformar o país. Pelo visto a nossa luta enquanto cidadãos será imensa, não podemos parar, titubear, ainda há muito coisa para ser feita. Muitagente precisa ser expurgada da vida pública se de fato queremos melhorar as condições sociais da nossa nação.
Em relação ao mérito da questão, não sou jurista, portanto deixarei para as pessoas competentes analisarem, se é que eles conseguem fazer de forma clara também. Todos os dias ouvimos as ditas “interpretações” e com elas a certeza de que no nosso país as leis nos deixam à deriva, pois cada um pensa e interpreta como convém. Assim não há um norte a ser seguido, uma clareza do que realmente pode ou não, daquilo que é certo ou errado.
Mas como brasileiro, no conjunto da obra, é triste vivenciar este momento histórico. É triste ver o nosso país com tanta riqueza natural e humana, ter que passar por tudo isto. Uma pena para nós e futuras gerações!
E termino minhas considerações parafraseando o professor Amédis Germano, da Universidade Federal de Teófilo Otoni: “a votação foi divertida, cômica, circense, atabalhoada, estressante, mal educada, deselegante, ruidosa, furiosa, bravejante, etc. Desfilaram verborragias, discursos dogmáticos ou vazios, insípidos, inodoros – mas não incolores. Ali estavam os vários brasis: de todas as cores, sotaques, mores e sabores. Ali estavam representadas várias profissões, interesses, status e facções.” Resumindo: ali estavam quem nos representa! Ou seria melhor dizer: ali estavam quem nos representa?
Walber Gonçalves de Souza é professor.

sábado, 16 de abril de 2016

Reportagem de TV

Reportagem sobre a noite de lançamento do 
livro "Radiografias do Cotidiano"
acontecido no dia 14 de abril no auditório da UNEC.

Jornal "O Tempo"


Artigo publicado no Jornal "O Tempo" de Belo Horizonte no dia 14 de abril.

Artigo publicado

### SENTADO NO SOFÁ ###

Artigo publicado hoje (12/04) no Jornal Diário de Caratinga.



João resume bem quem é o cidadão brasileiro. Estudou em escola pública, vive em uma cidade de porte médio no interior de Minas Gerais, é casado e pai de duas filhas. Sai todos os dias para trabalhar em busca de satisfazer as necessidades inerentes a todo ser humano, que é o sustento dele e de sua família.
A família de João se enquadra na denominada “nova classe média”. Possui casa própria, um carro modesto para poder locomover-se, consegue viajar uma vez por ano de férias, pode-se dar ao luxo de esporadicamente fazer um churrasquinho na laje, reunindo os amigos ao som da música sertaneja, pagode ou algo similar.
João em especial tem um costume que faz com que ele seja pertencente a um pequeno grupo de brasileiros que gostam de ler. No Brasil, poderíamos dizer que são as exceções da regra, pois como sabemos o brasileiro lê pouco. João gosta de informar-se dos fatos que estão acontecendo, de ler os jornais, revistas, de ver os telejornais, busca um canal aqui outro li, sempre em busca de alguma notícia, de algum ponto de vista, de alguma opinião sobre os fatos do dia. Metodicamente ele sempre faz isto sentado no sofá. Todos os dias ao cair da noite, lá está João bem acomodado no sofá curtindo suas notícias.
Até mesmo aos domingos o ritual da leitura acontece, o único diferencial é que na sua cidade há um semanário que é publicado aos domingos. Assim, além dos jornais diários, no domingo ele vai em busca de novas fontes e suas percepções da realidade.
Entretanto, João tem notado algo estranho ao se deparar cotidianamente com as notícias que mereceram uma reflexão. João começou a perceber que as informações que ele recebia na verdade não o informava, mas demonstrava o quanto a sua cidade, o seu país estão à beira de um colapso de informações, sempre guiadas numa mesma direção, que dizem ser a verdade, mas mostrando lados totalmente antagônicos e impossíveis de serem unidos num mesmo entendimento.
Numa noite, João estava vendo um programa de entrevistas com dois professores de duas universidades renomadas do nosso país, um da USP e o outro da UFMG. O tema tratado no programa era a situação atual do governo federal. Os dois professores defendiam lados distintos, enquanto um usava a constituição para defender o impeachment da presidente o outro usava o mesmo livro para dizer que o impeachment era algo errado.
Noutra noite, João estava lendo sobre os trabalhos realizados pela Operação Lava Jato. Num artigo um renomado jurista e articulista defendia os atos do juiz Sérgio Moro, num outro, um também renomado jurista e articulista dizia que o mencionado juiz está agindo de forma inconstitucional, portanto, agindo de forma errada.
João começou a notar também que sempre quando estava na roda de amigos e algum assunto aparecia, geralmente envolvendo política como tema, acontecia algo esquisito. Dependendo do grupo a sua opinião era tratada como algo que merecia a atenção, bacana, de ideias corretas. Já em conversa com outro grupo, mas mantendo a mesma opinião, seu ponto de visto era visto como algo de gente que não pensa, que segue tudo que a mídia fala, que ele não conseguia pensar por si só, portanto, de gente desinformada, alienada, burra.
Aos poucos João foi percebendo que o que de fato importava não era a sua opinião, mas o que as pessoas queriam ouvir. Se suas opiniões vinham ao encontro ou não dos interesses dos ouvintes. Reflexivo, João começou a notar que cada um dos grupos muito mais que a verdade estava apenas querendo que as pessoas concordassem com as suas convicções, independente se corretas ou não.
Na crise da informação e opinião, João não queria ficar desinformado, mas ao mesmo tempo passou a perceber que as informações nem sempre estão baseada na verdade, naquilo que é ou deveria ser o correto.
Sentado no sofá João passou a ficar perplexo como o Brasil perdeu o norte daquilo que é certo ou errado. Ele sabe que o contraditório é essencial, necessário e que faz o pensamento desenvolver-se. Mas João sabe também que quando o contraditório é baseado em mentiras não há argumentações que a justifiquem. O problema é saber quem está sendo mentiroso e leviano. Do sofá fica difícil saber quem é quem.
Sentado no sofá, lendo ou vendo algum telejornal, João já não sabe mais em quem acreditar, pois todas as informações sempre são alicerçadas por pessoas que pelo menos merecem a sua consideração.
Walber Gonçalves de Souza é professor.

Publicação de artigo


O artigo "Eleições: o jogo começou" foi publicado 
no Jornal Correio de Uberlândia na dia 11 de abril.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

ELEIÇÕES: O JOGO COMEÇOU
Artigo publicado no dia (05/04) no Jornal Diário de Caratinga.

Começou “oficialmente” a corrida para os pretensos candidatos aos cargos públicos de vereadores e prefeitos em todo o país; pois no dia 2 de abril findou-se o prazo legal de filiação partidária e/ou trocas de partido. Assim, em breve será possível conhecer a lista dos nomes que figuram em cada partido, destes nomes sairão os candidatos.
Sabemos que a filiação partidária é um dos pré-requisitos necessários para a disputa de qualquer cargo eletivo, portanto a importância da data mencionada.
Agora os partidos começam a organização interna, escolher dentre os nomes dos filiados quem serão os candidatos a vereador, vice-prefeito e prefeito. Os partidos irão avaliar se haverá ou não composição com outros partidos em torno de um mesmo nome para a disputa majoritária, para prefeito, ou se disputarão as eleições sozinhas, lançando assim um membro do próprio partido.
Internamente começa, portanto, o jogo das composições político-partidárias. Sabemos que este jogo nem sempre é feito de forma transparente, que estas composições realizadas nos bastidores escondem um jogo de busca ou manutenção do poder. Como em todo jogo há sempre um ganhador e um perdedor. Mas neste caso costuma-se ter mais de um perdedor: o candidato derrotado e o povo.
Mas por que o povo também pode ser considerado um derrotado? Porque na grande maioria dos casos durante a composição dos grupos que disputarão as eleições, os interesses em questão são os mais diversos possíveis, menos os interesses da cidade, do povo, do cidadão.
A preocupação primeira está ligada aos interesses particulares das pessoas ou dos grupos que darão seu apoio ao candidato escolhido. Assim como diria o ditado popular, em troca do apoio aos poucos o candidato vai “vendendo sua alma ao diabo”; que como todos sabem, pode demorar, mas um dia vai cobrar a conta. E nestes casos a conta costuma ser cara demais. Tão cara que impede que a administração de quem ganhou seja coerente com as promessas ou propostas feitas durante a campanha.
Este ciclo vicioso parece ter contaminado de tal forma o processo eleitoral que não conseguimos visualizar outra saída, passamos a acreditar que não há outro caminho. O sistema eleitoral da forma que se apresenta na atualidade parece estar dando sinal que está chegando a seu fim. Se é que não chegou.
O jogo que começou no dia 2 de abril, deveria ter começado no dia 1°, pois do jeito que tem se manifestado não passa de uma grande mentira. Apresenta ares de democracia, de inovação, de mudanças de estruturas, de renovação dos sonhos, das esperanças, da crença em dias melhores. Mas se concretiza de uma forma totalmente diferente, deixando a realidade ainda mais desumana, sem esperança, sem credibilidade; destrói os sonhos, perpetua a imoralidade no trato das coisas públicas, gera a mesquinharia, propaga a mentira, faz desfilar perante todos nós a impunidade, nos obriga a engolir a corrupção e seus corruptos e corruptores como se fossem situações normais que fazem parte do jogo.
O jogo que começou no dia 2 de abril deveria ter começado no dia 1°, pois ele é feito com paradigmas da mentira, da enganação das pessoas, com as artimanhas do marketing da persuasão barata e simplesmente interesseira. Chegamos ao ponto de em cada eleição vivenciarmos tantas promessas vãs, que aos poucos estamos ficando descrentes de tudo e de todos. E motivos para isto é que não falta, é claro!
O jogo que começou no dia 2 de abril, deveria ter começado no dia 1°, pois as nossas cidades estão virando uma grande mentira. A saúde que deveria ser de qualidade, pois é propagada assim está à beira da morte; na pátria educadora as cidades apresentam uma educação de péssima qualidade, com raríssimas exceções; as questões ambientais ainda gritam por socorro, é preciso brigar para que o esgoto seja tratado, o lixo remanejado de forma correta, as áreas de proteção ambiental protegidas, pouquíssimas são as áreas de lazer, os ambientes de diversão. Cultura? Só se for a do créu, velocidade 1000, assim tudo fica tranquilo e favorável.
Na verdade o jogo, como as suas “regras ocultas”, que está começando deveria acabar; o bom mesmo seria nem começar. Pois do jeito que ele está as coisas continuarão imutavelmente no mesmo lugar, infelizmente!
Walber Gonçalves de Souza é professor

Reportagem TV

Reportagem do Super Canal 
sobre o lançamento do livro
 "Radiografias do Cotidiano". 

Publicações




Palestra na APAC


Matéria publicada no Jornal Diário de Caratinga no dia 29 de março.

Artigo de opinião

O TÚMULO ESTÁ VAZIO

Artigo publicado no dia 29/03 no Diário de Caratinga.

Eram cinco horas da manhã, ouvia-se o cantar de alguns galos que perambulavam pelo terreiro e ao mesmo tempo o som que vinha do despertador. Depois de alguns bocejos e espreguiçadas era hora de levantar e começar a lida de mais um dia.
O banheiro seria o primeiro destino do dia, onde a higiene corporal aconteceria. Depois com passos firmes chegaria à cozinha, onde seria feito um forte e delicioso café. Para melhorar ainda mais a refeição matinal, montado em cima de uma bicicleta, dirigiu-se rumo à padaria do bairro, que ficava a alguns quarteirões do sua moradia.
Com pedaladas mais apressadas no retorno, rapidamente chegou em casa. Ao adentrar seu lar deparou-se com os demais membros da sua família também acordados e apetitosos à espera daquele pão quentinho.
De barriga cheia e apetite satisfeito cada um tomou o seu destino, alguns seguiam rumo a escola para mais uma manhã de aula e outros para mais uma jornada de trabalho. A escola ficava próxima da casa, por isso as crianças iam a pé. O trabalho da mamãe também, pois era professora na mesma escola. Agora ele deveria atravessar toda a cidade de ônibus, pois o seu trabalho era realizado do outro lado da cidade. De segunda a sexta, nas idas e vindas, ele passava por uma grande ponte, cerca de 150 metros de comprimento, e de tanto percorrer o mesmo caminho percebia que naquela ponte aconteciam vários acidentes, pois as barreiras laterais viviam quebradas.
As crianças e a mãe conviviam com tantas outras crianças e pessoas que fazem parte de um ambiente escolar. Já ele trabalhava em uma usina nuclear onde a tensão, o cuidado, o perigo estão presentes em todos os cantos.
E assim os dias passam e se repetem na dinâmica da sobrevivência. E nem percebemos que a todo o instante o túmulo se torna vazio à nossa frente. Pois acreditar no túmulo vazio é acreditar na vida, é ter fé.
Domingo passado milhões de pessoas mundo afora comemoram a páscoa, pois acreditam que o túmulo está vazio, acreditam que a esperança se renova, acreditam na vida, acreditam que a fé é real.
Como assim, a fé é real? Por que nem sempre percebemos que a todo o instante o túmulo se torna vazio à nossa frente? Basta olhar a nossa própria existência, nossa vida é guiada pela fé, pela fé que devemos e depositamos todos os dias nas pessoas que nos rodeiam.
Pense bem, você vai à padaria, compra e come o pão na certeza que ele não está envenenado; você toma o café feito por outra pessoa sem saber que se há algo nele que possa te fazer mal; você frequenta lugares sem se preocupar se pode estar correndo perigo, pois alguém pode estar ali para cometer algum atentado; você anda de transporte público na certeza que o motorista não vai jogar o ônibus pela ponte ou ribanceira; você caminha pelas calçadas das cidades, cruza os olhares com tantas pessoas e acredita piamente que chegará em casa no fim do dia.
O túmulo está vazio todos os dias na manifestação de fé que depositamos uns nos outros. Por isso a fé não pode morrer, pois ela é a estrela invisível, a essência que conduz o ser nas trilhas da vida. Imagine que caos seria se algum dia as pessoas de fato não puderem confiar umas nas outras.
Mas alguém poderia estar se perguntando: mas não são todas as pessoas que acreditam que o túmulo está vazio? Portanto, podemos afirmar que esta pessoa não tem fé? Talvez esteja aí o grande sentido de se comemorar a páscoa todos os anos, alertar para a fé. Não acreditar que o túmulo está vazio significa também não acreditar na vida, nas pessoas. E como isto tem acontecido na nossa sociedade. Estamos perdendo a fé em nós, nos outros. Quando isto acontece a vida perde o brilho, as manifestações de morte se manifestam e se espalham.
O túmulo está vazio todos os dias, mas sem fé não conseguiremos enxergá-lo jamais. Fé esta que se manifesta de todas as formas e jeitos em cada lugar e ação que executamos ou que de alguma forma estamos envolvidos.
O túmulo está vazio, acredite!
Walber Gonçalves de Souza é professor.

Lançamento: Radiografia do Cotidiano


Artigo de opinião


Artigo de opinião publicado no Correio de Uberlândia no dia 28 de março.

Artigo de opinião


VAMOS LIMPAR O BRASIL 

Artigo deste professor publicado no dia 24/03
no caderno de opinião do Jornal ESTADO DE MINAS.


Gazeta de Muriaé


Artigo de opinião publicado no dia 22 de março no Jornal Gazeta de Muriaé/MG.

Artigo de opinião

A HORA É AGORA: FAXINA GERAL
Artigo publicado no dia 22/03 no Jornal Diário de Caratinga


Dizem que quando as coisas chegam ao caos é porque elas estão prestes a melhorar. Se este ditado popular for realmente verdadeiro, a nossa hora é agora, pois o caos parece estar instalado na República Federativa do Brasil em todas as suas esferas e instâncias. Fazendo uma analogia com os últimos acontecimentos que vivenciamos no cenário político do Brasil, podemos afirmar que o caos realmente se instalou. Notícias de toda sorte borbulham a cada minuto, não nos dando tempo sequer de ficar atualizados, tamanha a efervescência dos fatos. E como diria o filósofo Mário Sérgio Cortella, “não podemos perder o foco do que vivemos hoje no Brasil, que não é o auge da sujeira, mas o começo da limpeza”.
Sabemos que os problemas são os mesmos de muitos séculos: corrupção, prevaricação, uso da máquina pública, privilégios, intermináveis esquemas de favorecimento… Enfim, são indizíveis. Sabemos também que ficar analisando quem está menos ou mais envolvido em todas estas situações não vai resolver nada porque não iremos chegar a lugar nenhum, pois cada um apresenta um tipo e grau de envolvimento. Sabemos que há um envolvimento geral de muitos que participam diretamente da administração pública. Mas sabemos também que as coisas não podem ficar assim. Chega, é hora do basta! Chegou a hora de darmos uma faxina geral.
Ainda no meu tempo de infância, por questões de trabalho dos meus pais, aprendi desde cedo a cuidar da casa. Por muito tempo fui o responsável por tomar conta dos meus irmãos, por zelar pela casa. E minha mãe sempre me dizia, para arrumar bem a casa no dia da faxina é preciso tirar as coisas do lugar, limpar e depois sim reorganizar novamente as coisas nos devidos lugares. Minha mãe acrescentava: “não adianta jogar a sujeira para debaixo do tapete; banheiro para ficar limpo tem que jogar água, esfregar, jogar sabão”. Durante muito tempo, seguindo seus ensinamentos, procurei ser um bom faxineiro, gostava de ver as coisas limpas e nos seus respectivos lugares. Sem falar que acabava agradando meus pais.
Fazendo uma simples comparação, se queremos que o Brasil se torne verdadeiramente uma grande nação é preciso que tenhamos coragem de fazer uma faxina geral, não dá mais para jogar a sujeira para debaixo do tapete ou passar um paninho no banheiro. E fazer uma faxina bem feita requer disposição, coragem, atenção, vontade… Por mais que digam que a Polícia Federal está trabalhando, que eles são livres para fazerem os seus devidos trabalhos, o que mais estamos observando a todo o momento é a tentativa de obstrução, de impedir o prosseguimento das investigações e seus respectivos julgamentos. O exemplo mais claro é o do deputado Eduardo Cunha, quanta manobra!
Vejamos algumas situações, no mínimo esdrúxulas, que estão acontecendo por aqui.
Onde já se viu um parlamentar que é procurado pela polícia internacional (INTERPOL) por ter cometido diversos crimes, ser membro de uma comissão que vai julgar possíveis irregularidades da atual gestão. Estou me referindo ao deputado Paulo Maluf.
Onde já se viu as duas casas do poder legislativo, Câmara dos Deputados e Senado, estar ainda sendo presidida por duas pessoas públicas deploráveis. Mesmo depois de tantos escândalos, manobras, artimanhas… Uma vergonha nacional!
Onde já se viu as maiores cortes do país tendo seus membros indicados pelo poder executivo. No mínimo uma situação vexatória, passível de interesses que vão além dos interesses republicanos. Estes cargos deveriam ser ocupados por pessoas que queiram avançar em suas carreiras, mas que estejam dispostas também a disputá-las por meio de concursos públicos independentes. Assim, o processo seria mais transparente e meritocrático. É claro que não impediria problemas de conduta, mas aí já seria problema da consciência de cada um.
Onde já se viu um dito sistema presidencialista ser tão “preso” ao poder legislativo. Há algo errado aí, decidamos o que queremos ser, qual sistema de fato queremos vivenciar: ou sejamos presidencialistas de fato ou parlamentaristas. Este sistema sem identidade já demonstrou não ser eficaz por aqui. Não adianta ficar tentando a sua manutenção.
São tantos casos que poderíamos citar que contribuem para o caos no qual estamos vivendo. É muita sujeira. E sujeira se combate com limpeza, com uma limpeza profunda. Não só de pessoas, mas também das regras do jogo. Das formas de lidar com os poderes da nação. Mas como as regras do jogo são modificadas pelas pessoas, que elas sejam as primeiras a passar pelo processo de higienização. Mas lembre-se somos os corresponsáveis pela limpeza que queremos.
Walber Gonçalves de Souza é professor.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Diário de Caratinga

A SAÚDE ESTÁ AGONIZANDO
Artigo publicado na edição de hoje (15/03) no Jornal Diário de Caratinga. (http://www.diariodecaratinga.com.br/?p=21070)

“Estamos perdendo a guerra contra o Aedes”, assim declarou recentemente o ministro da saúde Marcelo Castro em uma entrevista divulgada nacionalmente. No dia 29 de fevereiro o jornal O Estado de Minas estampou em sua capa a seguinte manchete: “Novas doenças, velhos desafios”. Na semana passada o Diário de Caratinga noticiou uma triste notícia “Caratinga tem primeira morte neste ano por suspeita de dengue hemorrágica”.
Estes são exemplos aleatórios entre milhares que todos os dias são notícias, que confirmam o caos pelo qual vem passando o setor da saúde em nosso país. Não sou especialista na área da saúde, mas como cidadão deixarei aqui minha reflexão sobre o que está acontecendo.
Penso que se fôssemos buscar o fio da meada com certeza começaríamos discutindo o papel da educação escolar. Educação falha gera um cidadão falho que constrói uma sociedade de mazelas. A dengue enquadra-se perfeitamente neste perfil. Haja vista que a maioria dos focos do mosquito encontra-se nas casas das pessoas. Nossa sub-educação gera um quadro de paralisia coletiva, não agimos, não acreditamos que também somos responsáveis pelo bem estar da própria comunidade em que vivemos. E quando não fazemos a nossa parte, por acreditar que não faz a diferença, estamos apenas sendo mais um colaborador do caos em que estamos inseridos. Se a nossa educação funcionasse nossa realidade seria outra.
Merece atenção também o papel das instituições que cuidam ou deveriam cuidar da saúde. Em muitos casos parece ser nítido que os interesses não estão alinhados. Ao ser vista simplesmente como uma fonte de recursos, ela aos poucos vai perdendo o seu sentido, a sua essência. Mais uma contribuição para a geração dos problemas enfrentados pela saúde.
Agora, um fator de suma importância é a gestão. Como em qualquer área ou lugar uma gestão eficaz colabora decisivamente para que os quadros sociais se tornem melhores ou piores. Só boa vontade não é o suficiente, é preciso gerir bem, ser um ótimo gestor, portanto, conhecedor do que está fazendo. Pois as medidas que devem ser tomadas precisam ser acompanhadas de uma visão ampla de todas as circunstâncias que envolvem o problema, no nosso caso específico, a saúde.
A nossa realidade reflete que estamos convivendo com uma má gestão. Pelo que parece não há um planejamento estratégico das ações. Espera-se o problema aparecer para combatê-lo. Mas como sou brasileiro, acredito que posso afirmar que, espera-se o problema aparecer, ficar crítico, para que as licitações, mesmo sendo na maioria dos casos armadas, sejam dispensadas. Deixando o caminho ainda mais escancarado para as falcatruas dos gestores maus intencionados, que infelizmente parece ser a grande maioria nos órgãos públicos e privados. Lembrando que não existe corrupto sem corruptor.
Vivemos em um país tropical, com insetos e doenças típicas destas condições geográficas. Sabemos que no período de altas temperaturas e chuvas a probabilidade da proliferação do mosquito Aedes é grande, e com ele as terríveis doenças. Portanto, de fato o que foi feito, pelos órgãos públicos responsáveis para tentar resolver o problema? Sei que falarão que foi feito muita coisa. Mas onde está o resultado? Tenho visto um caos, que ratifica ainda mais como é a nossa gestão, ou melhor, a má gestão.
Sempre acreditei que saúde é prevenção. Que devemos cuidar do espaço, do corpo, da mente preventivamente. A prevenção é mais barata, mais humana, mais saudável. Mas parece que a lógica está invertida. Nossos gestores querem combater a doença. Pois ela, a doença, sendo tratada como está alimenta, entre outras infinitas coisas, o sentimento mais deplorável do ser humano, que é ver o outro como um ninguém, mesmo vinda acompanhada de uma demagogia humanizadora. E é justamente isto que está parecendo ser. Quer comprovar este argumento, vá a qualquer hospital e pergunte às pessoas como elas se sentem.
Estamos perdendo a guerra contra o a Aedes, estamos perdendo a guerra contra os velhos problemas que insistem em permanecer nas mentes daqueles que usam a doença como uma forma de promoção dos seus próprios interesses, e o pior, com o consentimento da maioria da população. Mas nesta guerra o Aedes está vencendo a população e os maus gestores também. Portanto, salve-se quem puder!
Walber Gonçalves de Souza é professor.