terça-feira, 26 de abril de 2016

Diário da Manhã de Goiânia / GO


Artigo publicado no Jornal Diário da Manhã (26/04) de Goiânia / GO.

Artigo no Jornal "O Tempo"


@@@@ A TEORIA DE MONTESQUIEU @@@@
Artigo publicado nos Jornal "O Tempo" -26/04.


Artigo no Diário de Caratinga e Diário do Manhuacu

@@@@ A TEORIA DE MONTESQUIEU @@@@

Artigo publicado nos Jornais Diário de Caratinga e Diário de Manhuaçu -26/04. 



O século XVIII foi de grandes transformações na Europa. Várias dessas mudanças foram proporcionadas pelos pensadores iluministas. O Iluminismo foi um movimento social, político, filosófico, econômico que criou as bases teóricas que orientou as diversas mudanças ocorridas na Europa Moderna. O foco principal dos iluministas era combater o sistema político absolutista implantado pelos monarcas por volta do século XV.
Entre os diversos pensadores desta época destacaremos o francês Montesquieu, criador da Teoria dos três poderes: legislativo, executivo e judiciário.
De acordo com Montesquieu o poder político de uma nação deveria ser dividido em três partes. Sendo que nenhuma das partes seria mais importante do que a outra e ao mesmo tempo elas se completariam formando o poder político do Estado.
Pela teoria do filósofo francês caberia ao poder legislativo criar as leis, pensar o destino do país através de projetos de desenvolvimento social e econômico, estabelecer as regras e as normas que deveriam ser seguidas pelos compatriotas; o poder executivo, como o próprio nome já diz, deveria executar aquilo que seria proposto pelo poder legislativo; e por fim, ao poder judiciário caberia a função de constatar se todos estão cumprindo as leis.
Uma teoria aparentemente perfeita, principalmente se for analisada pela forma como ela propõe o papel democrático do Estado e que colaborou decisivamente para o fim do absolutismo europeu. Tamanho o sucesso nas terras do conhecido “velho mundo” que com o tempo ela começou a se espalhar pelo mundo, sendo adotada por vários países, entre ele o Brasil.
Mas o sucesso do pensamento de Montesquieu conjuga-se diretamente com participação popular, com o exercício da cidadania. Depende também de que cada poder tenha a autonomia de cumprir o seu papel. Portanto, sem participação e autonomia os poderes existirão de direito, mas não de fato.
Na administração pública federal, bem como na maioria dos nossos estados e municípios, parece estar acontecendo uma crise de identidade e ao mesmo tempo de autonomia dos poderes. Em alguns momentos percebe-se uma desarmonia tamanha, chegando ao ponto de ninguém mais saber de fato o que é de competência de cada um.
Assim, no meio desta confusão institucional, o Estado fica paralisado. Um poder passa a não complementar o outro, criando travas que impedem o funcionamento dos demais. E estas travas ganharam o nome de burocracia. Vivemos um Estado paralisado, entre outras coisas, pelo poder demasiadamente empregado nos aparatos burocráticos. Como diria Carlos Drummond de Andrade: “o excesso de leis feitas para o bem do povo acaba por sufocá-lo”.
A interferência excessiva de um poder sobre o outro acaba distorcendo a sua ideia original, provocando sua ineficácia, perdendo seu caráter democrático e criando um Estado travado em si mesmo, onde o famoso “sistema” impede as coisas de acontecerem.
Observe os casos de repercussão nacional. Os três poderes não se entendem, não colaboram entre si, demonstram não existirem para o mesmo objetivo, para o mesmo fim, que é conduzir o rumo do país.
O estado de descrença é tamanha entre as pessoas que governam nosso país que toda a ação, independente de quem a propõe, é recheada de paralisações e interferências pelos demais poderes. Criam-se barreiras, obstáculos das mais diversas ordens, com intuito puro e simplesmente de não verem as coisas fluírem. Como diria o próprio Montesquieu “as leis inúteis debilitam as necessárias”.
A importância da harmonia entre os três poderes verifica-se no pensamento a seguir, também atribuído ao Barão de Montesquieu: “Quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se as que lá existem são executadas, pois boas leis há por toda a parte”. Portanto, para o nosso país constituir-se numa nação, entre outras coisas, faz-se necessário urgentemente estabelecer uma harmonia entre os poderes, senão ficaremos eternamente presos à burocracia que não nos leva a lugar nenhum.

domingo, 24 de abril de 2016

terça-feira, 19 de abril de 2016

Discurso de lançamento

Um discurso em prol da educação

Discurso proferido na noite do dia 15 de abril 
no lançamento do livro "Radiografias do Cotidiano" - vol. 8. 

Artigo de opinião

CONSIDERAÇÕES SOBRE O DIA 17 DE ABRIL

Artigo publicado simultaneamente nos Jornais: Diário de Caratinga, Diário de Manhuaçu e Diário de Teófilo Otoni, nesta terça (19/04).

Historicamente algumas datas tornam-se importantes pelos fatos que elas registram. O dia 17 de abril foi uma delas. Na recente História do Brasil, marcada pelo processo de redemocratização, neste dia iniciou-se o segundo processo de impeachment da História política do nosso país.
Como colaborador deste jornal, cidadão brasileiro e professor, farei algumas considerações, que de acordo com minha visão, acredito serem pertinentes neste momento de reflexão democrática.
Acompanhei, praticamente durante todo o dia, pelo Facebook e WhatsApp uma série de postagens sobre o assunto do domingo: o processo de impeachment da presidente Dilma, que é o tema em questão. Uma das grandes qualidades da verdadeira democracia é o direito à opinião, somos livres para podermos manifestar. Mas parece que isto não está acontecendo de fato entre nós, nas nossas opiniões sejam elas quais forem, é possível observar nas mais diversas postagens muitos comentários mal educados e antidemocráticos. O problema não é comentar e sim a forma como se comenta, cerceando o outro no seu direito de ter e manifestar a sua opinião. Se todos pensassem da mesma forma aí sim seria o grande problema.
Que circo é o nosso Congresso. Aqueles são os nossos representantes escolhidos por nós através do nosso voto. Que nojo! Gritos, xingos, palavras mal colocadas, mal faladas, em alguns momentos a língua portuguesa pensou não pertencer a este país. Ninguém escuta ninguém, barulho, uma zorra. A falta de respeito pelo voto do outro, pela forma como cada um se expressava, demonstrou nitidamente como a nossa Câmara realmente tem a nossa cara.
Deus! Quantas vezes ouvimos esta palavra saindo da boca de cada deputado. A Bíblia e Deus foram usados das mais diversas formas. Parecia Sodoma e Gomorra! Depois ainda querem crucificar o filósofo Nietzsche quando ele fala que os homens mataram Deus.
Sobre a tão sonhada limpeza, não nos enganemos! Mesmo se o processo de impeachment se concretizar ele não será o suficiente. Ainda há muito coisa a ser feita. Nossa tradição política, nossos políticos, não demonstraram querer transformar o país. Pelo visto a nossa luta enquanto cidadãos será imensa, não podemos parar, titubear, ainda há muito coisa para ser feita. Muitagente precisa ser expurgada da vida pública se de fato queremos melhorar as condições sociais da nossa nação.
Em relação ao mérito da questão, não sou jurista, portanto deixarei para as pessoas competentes analisarem, se é que eles conseguem fazer de forma clara também. Todos os dias ouvimos as ditas “interpretações” e com elas a certeza de que no nosso país as leis nos deixam à deriva, pois cada um pensa e interpreta como convém. Assim não há um norte a ser seguido, uma clareza do que realmente pode ou não, daquilo que é certo ou errado.
Mas como brasileiro, no conjunto da obra, é triste vivenciar este momento histórico. É triste ver o nosso país com tanta riqueza natural e humana, ter que passar por tudo isto. Uma pena para nós e futuras gerações!
E termino minhas considerações parafraseando o professor Amédis Germano, da Universidade Federal de Teófilo Otoni: “a votação foi divertida, cômica, circense, atabalhoada, estressante, mal educada, deselegante, ruidosa, furiosa, bravejante, etc. Desfilaram verborragias, discursos dogmáticos ou vazios, insípidos, inodoros – mas não incolores. Ali estavam os vários brasis: de todas as cores, sotaques, mores e sabores. Ali estavam representadas várias profissões, interesses, status e facções.” Resumindo: ali estavam quem nos representa! Ou seria melhor dizer: ali estavam quem nos representa?
Walber Gonçalves de Souza é professor.

sábado, 16 de abril de 2016

Reportagem de TV

Reportagem sobre a noite de lançamento do 
livro "Radiografias do Cotidiano"
acontecido no dia 14 de abril no auditório da UNEC.

Jornal "O Tempo"


Artigo publicado no Jornal "O Tempo" de Belo Horizonte no dia 14 de abril.

Artigo publicado

### SENTADO NO SOFÁ ###

Artigo publicado hoje (12/04) no Jornal Diário de Caratinga.



João resume bem quem é o cidadão brasileiro. Estudou em escola pública, vive em uma cidade de porte médio no interior de Minas Gerais, é casado e pai de duas filhas. Sai todos os dias para trabalhar em busca de satisfazer as necessidades inerentes a todo ser humano, que é o sustento dele e de sua família.
A família de João se enquadra na denominada “nova classe média”. Possui casa própria, um carro modesto para poder locomover-se, consegue viajar uma vez por ano de férias, pode-se dar ao luxo de esporadicamente fazer um churrasquinho na laje, reunindo os amigos ao som da música sertaneja, pagode ou algo similar.
João em especial tem um costume que faz com que ele seja pertencente a um pequeno grupo de brasileiros que gostam de ler. No Brasil, poderíamos dizer que são as exceções da regra, pois como sabemos o brasileiro lê pouco. João gosta de informar-se dos fatos que estão acontecendo, de ler os jornais, revistas, de ver os telejornais, busca um canal aqui outro li, sempre em busca de alguma notícia, de algum ponto de vista, de alguma opinião sobre os fatos do dia. Metodicamente ele sempre faz isto sentado no sofá. Todos os dias ao cair da noite, lá está João bem acomodado no sofá curtindo suas notícias.
Até mesmo aos domingos o ritual da leitura acontece, o único diferencial é que na sua cidade há um semanário que é publicado aos domingos. Assim, além dos jornais diários, no domingo ele vai em busca de novas fontes e suas percepções da realidade.
Entretanto, João tem notado algo estranho ao se deparar cotidianamente com as notícias que mereceram uma reflexão. João começou a perceber que as informações que ele recebia na verdade não o informava, mas demonstrava o quanto a sua cidade, o seu país estão à beira de um colapso de informações, sempre guiadas numa mesma direção, que dizem ser a verdade, mas mostrando lados totalmente antagônicos e impossíveis de serem unidos num mesmo entendimento.
Numa noite, João estava vendo um programa de entrevistas com dois professores de duas universidades renomadas do nosso país, um da USP e o outro da UFMG. O tema tratado no programa era a situação atual do governo federal. Os dois professores defendiam lados distintos, enquanto um usava a constituição para defender o impeachment da presidente o outro usava o mesmo livro para dizer que o impeachment era algo errado.
Noutra noite, João estava lendo sobre os trabalhos realizados pela Operação Lava Jato. Num artigo um renomado jurista e articulista defendia os atos do juiz Sérgio Moro, num outro, um também renomado jurista e articulista dizia que o mencionado juiz está agindo de forma inconstitucional, portanto, agindo de forma errada.
João começou a notar também que sempre quando estava na roda de amigos e algum assunto aparecia, geralmente envolvendo política como tema, acontecia algo esquisito. Dependendo do grupo a sua opinião era tratada como algo que merecia a atenção, bacana, de ideias corretas. Já em conversa com outro grupo, mas mantendo a mesma opinião, seu ponto de visto era visto como algo de gente que não pensa, que segue tudo que a mídia fala, que ele não conseguia pensar por si só, portanto, de gente desinformada, alienada, burra.
Aos poucos João foi percebendo que o que de fato importava não era a sua opinião, mas o que as pessoas queriam ouvir. Se suas opiniões vinham ao encontro ou não dos interesses dos ouvintes. Reflexivo, João começou a notar que cada um dos grupos muito mais que a verdade estava apenas querendo que as pessoas concordassem com as suas convicções, independente se corretas ou não.
Na crise da informação e opinião, João não queria ficar desinformado, mas ao mesmo tempo passou a perceber que as informações nem sempre estão baseada na verdade, naquilo que é ou deveria ser o correto.
Sentado no sofá João passou a ficar perplexo como o Brasil perdeu o norte daquilo que é certo ou errado. Ele sabe que o contraditório é essencial, necessário e que faz o pensamento desenvolver-se. Mas João sabe também que quando o contraditório é baseado em mentiras não há argumentações que a justifiquem. O problema é saber quem está sendo mentiroso e leviano. Do sofá fica difícil saber quem é quem.
Sentado no sofá, lendo ou vendo algum telejornal, João já não sabe mais em quem acreditar, pois todas as informações sempre são alicerçadas por pessoas que pelo menos merecem a sua consideração.
Walber Gonçalves de Souza é professor.

Publicação de artigo


O artigo "Eleições: o jogo começou" foi publicado 
no Jornal Correio de Uberlândia na dia 11 de abril.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

ELEIÇÕES: O JOGO COMEÇOU
Artigo publicado no dia (05/04) no Jornal Diário de Caratinga.

Começou “oficialmente” a corrida para os pretensos candidatos aos cargos públicos de vereadores e prefeitos em todo o país; pois no dia 2 de abril findou-se o prazo legal de filiação partidária e/ou trocas de partido. Assim, em breve será possível conhecer a lista dos nomes que figuram em cada partido, destes nomes sairão os candidatos.
Sabemos que a filiação partidária é um dos pré-requisitos necessários para a disputa de qualquer cargo eletivo, portanto a importância da data mencionada.
Agora os partidos começam a organização interna, escolher dentre os nomes dos filiados quem serão os candidatos a vereador, vice-prefeito e prefeito. Os partidos irão avaliar se haverá ou não composição com outros partidos em torno de um mesmo nome para a disputa majoritária, para prefeito, ou se disputarão as eleições sozinhas, lançando assim um membro do próprio partido.
Internamente começa, portanto, o jogo das composições político-partidárias. Sabemos que este jogo nem sempre é feito de forma transparente, que estas composições realizadas nos bastidores escondem um jogo de busca ou manutenção do poder. Como em todo jogo há sempre um ganhador e um perdedor. Mas neste caso costuma-se ter mais de um perdedor: o candidato derrotado e o povo.
Mas por que o povo também pode ser considerado um derrotado? Porque na grande maioria dos casos durante a composição dos grupos que disputarão as eleições, os interesses em questão são os mais diversos possíveis, menos os interesses da cidade, do povo, do cidadão.
A preocupação primeira está ligada aos interesses particulares das pessoas ou dos grupos que darão seu apoio ao candidato escolhido. Assim como diria o ditado popular, em troca do apoio aos poucos o candidato vai “vendendo sua alma ao diabo”; que como todos sabem, pode demorar, mas um dia vai cobrar a conta. E nestes casos a conta costuma ser cara demais. Tão cara que impede que a administração de quem ganhou seja coerente com as promessas ou propostas feitas durante a campanha.
Este ciclo vicioso parece ter contaminado de tal forma o processo eleitoral que não conseguimos visualizar outra saída, passamos a acreditar que não há outro caminho. O sistema eleitoral da forma que se apresenta na atualidade parece estar dando sinal que está chegando a seu fim. Se é que não chegou.
O jogo que começou no dia 2 de abril, deveria ter começado no dia 1°, pois do jeito que tem se manifestado não passa de uma grande mentira. Apresenta ares de democracia, de inovação, de mudanças de estruturas, de renovação dos sonhos, das esperanças, da crença em dias melhores. Mas se concretiza de uma forma totalmente diferente, deixando a realidade ainda mais desumana, sem esperança, sem credibilidade; destrói os sonhos, perpetua a imoralidade no trato das coisas públicas, gera a mesquinharia, propaga a mentira, faz desfilar perante todos nós a impunidade, nos obriga a engolir a corrupção e seus corruptos e corruptores como se fossem situações normais que fazem parte do jogo.
O jogo que começou no dia 2 de abril deveria ter começado no dia 1°, pois ele é feito com paradigmas da mentira, da enganação das pessoas, com as artimanhas do marketing da persuasão barata e simplesmente interesseira. Chegamos ao ponto de em cada eleição vivenciarmos tantas promessas vãs, que aos poucos estamos ficando descrentes de tudo e de todos. E motivos para isto é que não falta, é claro!
O jogo que começou no dia 2 de abril, deveria ter começado no dia 1°, pois as nossas cidades estão virando uma grande mentira. A saúde que deveria ser de qualidade, pois é propagada assim está à beira da morte; na pátria educadora as cidades apresentam uma educação de péssima qualidade, com raríssimas exceções; as questões ambientais ainda gritam por socorro, é preciso brigar para que o esgoto seja tratado, o lixo remanejado de forma correta, as áreas de proteção ambiental protegidas, pouquíssimas são as áreas de lazer, os ambientes de diversão. Cultura? Só se for a do créu, velocidade 1000, assim tudo fica tranquilo e favorável.
Na verdade o jogo, como as suas “regras ocultas”, que está começando deveria acabar; o bom mesmo seria nem começar. Pois do jeito que ele está as coisas continuarão imutavelmente no mesmo lugar, infelizmente!
Walber Gonçalves de Souza é professor

Reportagem TV

Reportagem do Super Canal 
sobre o lançamento do livro
 "Radiografias do Cotidiano". 

Publicações




Palestra na APAC


Matéria publicada no Jornal Diário de Caratinga no dia 29 de março.

Artigo de opinião

O TÚMULO ESTÁ VAZIO

Artigo publicado no dia 29/03 no Diário de Caratinga.

Eram cinco horas da manhã, ouvia-se o cantar de alguns galos que perambulavam pelo terreiro e ao mesmo tempo o som que vinha do despertador. Depois de alguns bocejos e espreguiçadas era hora de levantar e começar a lida de mais um dia.
O banheiro seria o primeiro destino do dia, onde a higiene corporal aconteceria. Depois com passos firmes chegaria à cozinha, onde seria feito um forte e delicioso café. Para melhorar ainda mais a refeição matinal, montado em cima de uma bicicleta, dirigiu-se rumo à padaria do bairro, que ficava a alguns quarteirões do sua moradia.
Com pedaladas mais apressadas no retorno, rapidamente chegou em casa. Ao adentrar seu lar deparou-se com os demais membros da sua família também acordados e apetitosos à espera daquele pão quentinho.
De barriga cheia e apetite satisfeito cada um tomou o seu destino, alguns seguiam rumo a escola para mais uma manhã de aula e outros para mais uma jornada de trabalho. A escola ficava próxima da casa, por isso as crianças iam a pé. O trabalho da mamãe também, pois era professora na mesma escola. Agora ele deveria atravessar toda a cidade de ônibus, pois o seu trabalho era realizado do outro lado da cidade. De segunda a sexta, nas idas e vindas, ele passava por uma grande ponte, cerca de 150 metros de comprimento, e de tanto percorrer o mesmo caminho percebia que naquela ponte aconteciam vários acidentes, pois as barreiras laterais viviam quebradas.
As crianças e a mãe conviviam com tantas outras crianças e pessoas que fazem parte de um ambiente escolar. Já ele trabalhava em uma usina nuclear onde a tensão, o cuidado, o perigo estão presentes em todos os cantos.
E assim os dias passam e se repetem na dinâmica da sobrevivência. E nem percebemos que a todo o instante o túmulo se torna vazio à nossa frente. Pois acreditar no túmulo vazio é acreditar na vida, é ter fé.
Domingo passado milhões de pessoas mundo afora comemoram a páscoa, pois acreditam que o túmulo está vazio, acreditam que a esperança se renova, acreditam na vida, acreditam que a fé é real.
Como assim, a fé é real? Por que nem sempre percebemos que a todo o instante o túmulo se torna vazio à nossa frente? Basta olhar a nossa própria existência, nossa vida é guiada pela fé, pela fé que devemos e depositamos todos os dias nas pessoas que nos rodeiam.
Pense bem, você vai à padaria, compra e come o pão na certeza que ele não está envenenado; você toma o café feito por outra pessoa sem saber que se há algo nele que possa te fazer mal; você frequenta lugares sem se preocupar se pode estar correndo perigo, pois alguém pode estar ali para cometer algum atentado; você anda de transporte público na certeza que o motorista não vai jogar o ônibus pela ponte ou ribanceira; você caminha pelas calçadas das cidades, cruza os olhares com tantas pessoas e acredita piamente que chegará em casa no fim do dia.
O túmulo está vazio todos os dias na manifestação de fé que depositamos uns nos outros. Por isso a fé não pode morrer, pois ela é a estrela invisível, a essência que conduz o ser nas trilhas da vida. Imagine que caos seria se algum dia as pessoas de fato não puderem confiar umas nas outras.
Mas alguém poderia estar se perguntando: mas não são todas as pessoas que acreditam que o túmulo está vazio? Portanto, podemos afirmar que esta pessoa não tem fé? Talvez esteja aí o grande sentido de se comemorar a páscoa todos os anos, alertar para a fé. Não acreditar que o túmulo está vazio significa também não acreditar na vida, nas pessoas. E como isto tem acontecido na nossa sociedade. Estamos perdendo a fé em nós, nos outros. Quando isto acontece a vida perde o brilho, as manifestações de morte se manifestam e se espalham.
O túmulo está vazio todos os dias, mas sem fé não conseguiremos enxergá-lo jamais. Fé esta que se manifesta de todas as formas e jeitos em cada lugar e ação que executamos ou que de alguma forma estamos envolvidos.
O túmulo está vazio, acredite!
Walber Gonçalves de Souza é professor.

Lançamento: Radiografia do Cotidiano


Artigo de opinião


Artigo de opinião publicado no Correio de Uberlândia no dia 28 de março.

Artigo de opinião


VAMOS LIMPAR O BRASIL 

Artigo deste professor publicado no dia 24/03
no caderno de opinião do Jornal ESTADO DE MINAS.


Gazeta de Muriaé


Artigo de opinião publicado no dia 22 de março no Jornal Gazeta de Muriaé/MG.

Artigo de opinião

A HORA É AGORA: FAXINA GERAL
Artigo publicado no dia 22/03 no Jornal Diário de Caratinga


Dizem que quando as coisas chegam ao caos é porque elas estão prestes a melhorar. Se este ditado popular for realmente verdadeiro, a nossa hora é agora, pois o caos parece estar instalado na República Federativa do Brasil em todas as suas esferas e instâncias. Fazendo uma analogia com os últimos acontecimentos que vivenciamos no cenário político do Brasil, podemos afirmar que o caos realmente se instalou. Notícias de toda sorte borbulham a cada minuto, não nos dando tempo sequer de ficar atualizados, tamanha a efervescência dos fatos. E como diria o filósofo Mário Sérgio Cortella, “não podemos perder o foco do que vivemos hoje no Brasil, que não é o auge da sujeira, mas o começo da limpeza”.
Sabemos que os problemas são os mesmos de muitos séculos: corrupção, prevaricação, uso da máquina pública, privilégios, intermináveis esquemas de favorecimento… Enfim, são indizíveis. Sabemos também que ficar analisando quem está menos ou mais envolvido em todas estas situações não vai resolver nada porque não iremos chegar a lugar nenhum, pois cada um apresenta um tipo e grau de envolvimento. Sabemos que há um envolvimento geral de muitos que participam diretamente da administração pública. Mas sabemos também que as coisas não podem ficar assim. Chega, é hora do basta! Chegou a hora de darmos uma faxina geral.
Ainda no meu tempo de infância, por questões de trabalho dos meus pais, aprendi desde cedo a cuidar da casa. Por muito tempo fui o responsável por tomar conta dos meus irmãos, por zelar pela casa. E minha mãe sempre me dizia, para arrumar bem a casa no dia da faxina é preciso tirar as coisas do lugar, limpar e depois sim reorganizar novamente as coisas nos devidos lugares. Minha mãe acrescentava: “não adianta jogar a sujeira para debaixo do tapete; banheiro para ficar limpo tem que jogar água, esfregar, jogar sabão”. Durante muito tempo, seguindo seus ensinamentos, procurei ser um bom faxineiro, gostava de ver as coisas limpas e nos seus respectivos lugares. Sem falar que acabava agradando meus pais.
Fazendo uma simples comparação, se queremos que o Brasil se torne verdadeiramente uma grande nação é preciso que tenhamos coragem de fazer uma faxina geral, não dá mais para jogar a sujeira para debaixo do tapete ou passar um paninho no banheiro. E fazer uma faxina bem feita requer disposição, coragem, atenção, vontade… Por mais que digam que a Polícia Federal está trabalhando, que eles são livres para fazerem os seus devidos trabalhos, o que mais estamos observando a todo o momento é a tentativa de obstrução, de impedir o prosseguimento das investigações e seus respectivos julgamentos. O exemplo mais claro é o do deputado Eduardo Cunha, quanta manobra!
Vejamos algumas situações, no mínimo esdrúxulas, que estão acontecendo por aqui.
Onde já se viu um parlamentar que é procurado pela polícia internacional (INTERPOL) por ter cometido diversos crimes, ser membro de uma comissão que vai julgar possíveis irregularidades da atual gestão. Estou me referindo ao deputado Paulo Maluf.
Onde já se viu as duas casas do poder legislativo, Câmara dos Deputados e Senado, estar ainda sendo presidida por duas pessoas públicas deploráveis. Mesmo depois de tantos escândalos, manobras, artimanhas… Uma vergonha nacional!
Onde já se viu as maiores cortes do país tendo seus membros indicados pelo poder executivo. No mínimo uma situação vexatória, passível de interesses que vão além dos interesses republicanos. Estes cargos deveriam ser ocupados por pessoas que queiram avançar em suas carreiras, mas que estejam dispostas também a disputá-las por meio de concursos públicos independentes. Assim, o processo seria mais transparente e meritocrático. É claro que não impediria problemas de conduta, mas aí já seria problema da consciência de cada um.
Onde já se viu um dito sistema presidencialista ser tão “preso” ao poder legislativo. Há algo errado aí, decidamos o que queremos ser, qual sistema de fato queremos vivenciar: ou sejamos presidencialistas de fato ou parlamentaristas. Este sistema sem identidade já demonstrou não ser eficaz por aqui. Não adianta ficar tentando a sua manutenção.
São tantos casos que poderíamos citar que contribuem para o caos no qual estamos vivendo. É muita sujeira. E sujeira se combate com limpeza, com uma limpeza profunda. Não só de pessoas, mas também das regras do jogo. Das formas de lidar com os poderes da nação. Mas como as regras do jogo são modificadas pelas pessoas, que elas sejam as primeiras a passar pelo processo de higienização. Mas lembre-se somos os corresponsáveis pela limpeza que queremos.
Walber Gonçalves de Souza é professor.